No mundo em que o “senhor” dinheiro manda, a única coisa que temos de borla é a palavra. No entando, constituindo esta um eventual perigo, importa desde logo, encontrar mecanismos, que dificultem a sua compreensão, isto é, cria-se um espaço de proliferação de significados de modo a que a mesma perca sentido. O mesmo acontece relativamente aos conceitos, proliferando de forma larga o conceito gambezino. Tal estado de coisas contribui para a construção de um “ruído pré-meditado” o qual se junta a um “ruído de fundo” constituído por uma amalgama de informações, disponibilizada em excessos consecutivos, o que nos transporta para um estado de caos, quando se pretende, em tempo útil que essa mesma informação produza sentido. Na Internet o problema do ruído torna-se, então, ensurdecedor.
A aceleração da historia e bem assim a redução do tempo estratégico, transporta-se a um “esplendor do caos”, levando-nos a olhar para baixo, uma vez que estamos a verificar as relações económicas entre indivíduos e a não perceber, dada a subtilização dos conflitos, o que efectivamente se passa.
A violência e o obsceno que com ela convive, leva-nos a aspirar a uma “paz perpétua”, esquecendo-nos que a violência continua a ser indissociável da historia e o conflito a estar no cerne de toda a evolução. Ambicionar o reino da Suprema Harmonia na Terra é atribuir aos Homens uma Virtual sageza que as religiões reservam aos Deuses.
A Razão é relativa porque humana e socialmente condicionada, o progresso é dinâmico contraditório de que os Homens correm o risco de ir a ser vitimas. Razão e Não-Razão governam simultaneamente o mundo, e nem sempre o mais racional é o mais Justo e, o mais Justo o mais racional.
Perante a complexidade, que à primeira vista, é um fenómeno quantitativo, a extrema quantidade de interacções e de interferência entre um número muito grande de unidades. No entanto a complexidade não compreende apenas quantidades também incertezas, indeterminações e fenómenos aleatórios. Assim, a complexidade num sentido tem sempre contacto com o acaso, razão pelo qual a complexidade coincide com a incerteza.
Finalmente, vivemos num tempo de repetições, e a aceleração da repetição produz simultaneamente uma sensação de estagnação. É ao mesmo tempo fácil e irrelevante cair na ilusão retrospectiva de projectar o futuro no passado, como cair na ilusão retrospectiva de projectar o passado no futuro. O presente eterno faz a equivalência entre as duas ilusões e neutraliza ambas. Existe a apenas um mar de indefinição e de contingência.
Em suma, com os sistemas e subsistema de poder em roda livre, cria-se uma sociedade de distraídos, produzindo-se uma panóplia de não-lugares, frequentados por cidadãos reduzidos ao mínimo burocrático de consumidor, onde o sentido estético desaparece e o sentido ético é pura miragem, conduzindo a uma perca irremediável de capital social, dando-se largas ao mito do eufórico.
quinta-feira, 14 de junho de 2007
Num Mundo do “Senhor” Dinheiro: Poliferação e Estagnação
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