terça-feira, 24 de julho de 2007

segunda-feira, 23 de julho de 2007

Waking Life - Lorca

"nesta ponte", Lorca avisa: "A vida não é sonho. Cuidado e cuidado e cuidado".
Pensam que , se o "então" acontece, o "agora"não existe.Mas não disse que o "uau" esta acontecendo agora?
Somos todos co-autores dessa exuberância de dança,
pois até nossas inabilidades se reúnem. Autores de nós , co-autores de um gigantesco romance de Dostoievsky.
Aquilo em que estamos envolvidos, o mundo é a chance de mostrar como a alienação é emocionante.A vida é questão de
milagre coletado através do tempo em momentos pasmados por estarem na presença um dos outros.O mundo é uma prova
para verse crescemos para a experiência.Nossa visão é um teste para ver se vemos alem dele.A matéria é um teste
para nossa curiosidade.A duvida é uma prova de nossa vitalidade. Thomas mann escreveu que preferia participar da
vida a escrever cem histórias.Giacometti , uma vez , foi atropelado por um carro, e recorda , num desmaio lúcido,
ter sentido súbita alegria ao perceber que ,afinal, algo lhe acontecia.Alguns supõem que não se pode entender a
vida e viver.Não concordo inteiramente, ou seja, não discordo. Eu diria que a vida compreendida é a vida vivida.
Mas os paradoxos me incomodam e posso apreender a amar e a fazer amor com paradoxos que me incomodam.E, em noites
românticas do eu vou dançar salsa com minha confusão.
Antes que volte a dormir , não esqueça, ou seja, lembre-se, porque lembrar é muito mais que uma atividade psicótica,
Lorca , no mesmo poema, disse que o iguana mordera aqueles que não sonham.E, ao se perceber que se é figura de sonho
no sonho de outro, isso é auto-consciencia.

terça-feira, 10 de julho de 2007


O AMOR
Já não se escolhem os seres pela sua essência, mas pelo menor número de danos que estes podem vir a causar. Parece ser esta a metodologia mais corrente. É difícil definir as coisas hoje em dia. Por exemplo, como se define o amor segundo as regras da economia?Arranjando-se pessoas com objectivos comuns, que posteriormente 'juntam os trapinhos'. Trapinhos esses que no máximo de 10 anos se rompem.
Este chamado amor ,que é apoiado publicamente pelos meios de comunicação, faz-nos acreditar que encontramos o amor se formos regularmente ao ginásio, comprarmos as revistas certas, gastarmos fortunas num trapinho que deixe tudo de fora e fizermos dietas pseudo-milagrosas.
Assim se encontra o amor verdadeiro hoje em dia.



Dança Tribal...

Uma gota de água percorre o corpo.. o suor acalma as almas inquietas..
Sentir. são muitas outras coisas,
em que já toquei e reflecti.
O vento frio que nos fala e nos pinta,
ao sabor do fogo que salta e que bate
no peito, na perna, no peito.
Os braços erguem-se, e esvoaçantes dançam com as ancas.
Os cotovelos resignam-se, e caem.
As lágrimas acabaram..

sábado, 7 de julho de 2007

Serralves

Por Uma Nova Urbanidade – Parte I

Numa Europa Tecno-urbana, internacionalizada e multinacionalizada economicamente, fecundadora de não-lugares, emergem megalópoles, tecnópolis e pólos tecnológicos em detrimento de uma cidade discreta.

Perante a complexidade, a aceleração da história transporta-nos a um “esplendor do caos”, a uma panóplia de relações incompreensíveis, fecundada num processo de mutação da Cidade Europeia. Exemplos paradigmáticos, Barcelona de Cerda e Paris de Hausmann – século XIX - surgem como bitola da “urbs y civitas” fundamentadas em planos regularizadores que visão controlar o crescimento caótico da polis, e dessa forma responder as contingências espontâneas e concretas introduzidas pelo papel da técnica enquanto mecanismo de mudança social e do tecido urbano. Território físico e actores sociais mantêm uma relação recíproca. Globalidade, Urbanidade, Humanidade e Técnica correspondem aos chavões base dos planos, passando-se pela primeira vez em cidade para o automóvel e numa disciplina autónoma: urbanismo.

A prepotência surge após a 2ª Grande Guerra, fecundada no princípio da tábua rasa e na desconstrução da cidade europeia. A técnica governa-nos, organiza-nos em detrimento do urbano, onde todo o sistema de comunicação e transportes constituíam a matriz normativa da urbs, através de vias ferro carris que funcionam como fio condutor entre aglomerados urbanos – Cidade Jardim do Howard – ou através da autonomização do edificado isolados fase a desordem dos núcleos históricos – Carta de Atenas. Desenho e Ideologia caminham de mãos dadas no controlo do tecido urbano.

Por outro lado, a radicalizarão da Técnica fase ao Urbano, conduzi-o a uma perca irremediável da “cidade discreta”, ou seja, a sucessiva aceleração do tempo e respectiva evolução técnica culminam numa Nova Era da “Comunidade Universal e Difusa”. Esta, por sua vez, conduz a novas formas de movimentação e implantação, surgindo consequentemente “centralidades periféricas segundo um sistema regional e nacional”, despovoando centros históricos e culminando num conjunto de relações desmultiplicadas e deslocalizadas que se traduzem num espaço de fluxos. Este culmina “la muerte de la ciudad” dando largas a uma utopia pseudo-urbanistica, Em suma, a uma proliferação de significados e abordagens de modo a que a mesma perca sentido: falta de articulação, sobreposição e confusão de escalas.

Projectamos um sistema de “modelos caducos” numa dimensão kafkiana: o que existe não se explica, nem pelo passado, nem pelo futuro, resumindo-se a um mar de indefinição e contingência, ou seja, segundo F. Choay argumenta “la ciudad europea no va a convertirse en una Collage City, no puede continuar siendo un objecto que yuxtapone un estilo nuevo a los del pasado”.

Finalmente, num acto retrospectivo, tal estado desafia a nossa visão a ver mais alem do concreto, expande nossa consciência a ponto de compreendermos ate que ponto somos todos co-autores da urbs termis, e corrobora na necessidade de compreender a nova era da “comunidade universal e difusa”.