Numa Europa Tecno-urbana, internacionalizada e multinacionalizada economicamente, fecundadora de não-lugares, emergem megalópoles, tecnópolis e pólos tecnológicos em detrimento de uma cidade discreta.
Perante a complexidade, a aceleração da história transporta-nos a um “esplendor do caos”, a uma panóplia de relações incompreensíveis, fecundada num processo de mutação da Cidade Europeia. Exemplos paradigmáticos, Barcelona de Cerda e Paris de Hausmann – século XIX - surgem como bitola da “urbs y civitas” fundamentadas em planos regularizadores que visão controlar o crescimento caótico da polis, e dessa forma responder as contingências espontâneas e concretas introduzidas pelo papel da técnica enquanto mecanismo de mudança social e do tecido urbano. Território físico e actores sociais mantêm uma relação recíproca. Globalidade, Urbanidade, Humanidade e Técnica correspondem aos chavões base dos planos, passando-se pela primeira vez em cidade para o automóvel e numa disciplina autónoma: urbanismo.
A prepotência surge após a 2ª Grande Guerra, fecundada no princípio da tábua rasa e na desconstrução da cidade europeia. A técnica governa-nos, organiza-nos em detrimento do urbano, onde todo o sistema de comunicação e transportes constituíam a matriz normativa da urbs, através de vias ferro carris que funcionam como fio condutor entre aglomerados urbanos – Cidade Jardim do Howard – ou através da autonomização do edificado isolados fase a desordem dos núcleos históricos – Carta de Atenas. Desenho e Ideologia caminham de mãos dadas no controlo do tecido urbano.
Por outro lado, a radicalizarão da Técnica fase ao Urbano, conduzi-o a uma perca irremediável da “cidade discreta”, ou seja, a sucessiva aceleração do tempo e respectiva evolução técnica culminam numa Nova Era da “Comunidade Universal e Difusa”. Esta, por sua vez, conduz a novas formas de movimentação e implantação, surgindo consequentemente “centralidades periféricas segundo um sistema regional e nacional”, despovoando centros históricos e culminando num conjunto de relações desmultiplicadas e deslocalizadas que se traduzem num espaço de fluxos. Este culmina “la muerte de la ciudad” dando largas a uma utopia pseudo-urbanistica, Em suma, a uma proliferação de significados e abordagens de modo a que a mesma perca sentido: falta de articulação, sobreposição e confusão de escalas.
Projectamos um sistema de “modelos caducos” numa dimensão kafkiana: o que existe não se explica, nem pelo passado, nem pelo futuro, resumindo-se a um mar de indefinição e contingência, ou seja, segundo F. Choay argumenta “la ciudad europea no va a convertirse en una Collage City, no puede continuar siendo un objecto que yuxtapone un estilo nuevo a los del pasado”.
Finalmente, num acto retrospectivo, tal estado desafia a nossa visão a ver mais alem do concreto, expande nossa consciência a ponto de compreendermos ate que ponto somos todos co-autores da urbs termis, e corrobora na necessidade de compreender a nova era da “comunidade universal e difusa”.
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